Política
Roberta Luchsinger 'entrou em pânico' com envelope para Lulinha por medo de exposição, diz defesa
18 de março de 2026 às 18:24
G1
A defesa de Roberta Luchsinger apresentou uma nova justificativa para as mensagens em que ela orienta o empresário Antônio Camilo, o Careca do INSS, a descartar aparelhos telefônicos após uma operação da Polícia Federal (PF). Segundo o advogado Bruno Salles, Roberta "entrou em pânico" ao saber que a PF havia apreendido um envelope com o nome de Fábio (Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha) em um camarote do Careca . O temor de Roberta, diz a defesa, era a "exposição natural" que o nome do amigo, filho do presidente Lula (PT), carrega. O medo dela, justifica Salles, ocorreu antes mesmo de ela saber o que havia dentro do pacote. "Ela diz: 'acharam o envelope com o nome do nosso amigo, não vai dar abuso'. Ela estava preocupadíssima porque o nome do Fábio sempre traz uma exposição natural. Ela é muito amiga dele e sabe que qualquer coisa que apareça pode causar uma grande confusão", explicou o advogado. De acordo com Salles, ao saber da apreensão do envelope pela imprensa, Roberta demonstrou aflição imediata por desconhecer o conteúdo do objeto. O receio era de que qualquer item associado ao filho do presidente Lula fosse transformado em munição política, independentemente da gravidade. Foi sob esse estado de incerteza que ela enviou a mensagem mandando o empresário "sumir com os telefones". A defesa sustenta que Roberta só soube depois que o envelope continha apenas ingressos de futebol para o estádio, que sequer foram usados por Lulinha. Para Salles, a orientação para jogar o celular fora foi um conselho impulsivo de "gerenciamento de crise" de quem temia o uso político da amizade, e não uma tentativa de ocultar crimes que ela ainda nem compreendia. LEIA MAIS Quem é Roberta Luchsinger, alvo da operação ‘Sem Desconto’ Lulinha viajou a Portugal com Careca do INSS para visitar fábrica de cannabis medicinal, afirma defesa 'Filho do rapaz', 'sócio oculto', nome em envelope: as suspeitas contra Lulinha na investigação sobre desvios no INSS A PF investiga se Roberta serviu de ponte para repasses do Careca do INSS a Lulinha, focando em pagamentos de R$ 300 mil mensais feitos à herdeira. O valor seria por uma consultoria sobre a regulamentação do canabidiol na Anvisa. Questionado sobre uma mensagem de Camilo mencionando um pagamento de R$ 300 mil ao "filho do rapaz", o advogado negou que fosse uma referência a Lulinha. Salles sugeriu que a expressão poderia ser um erro de digitação ou uma referência ao pai de Roberta, sócio na empresa da família. "O valor de R$ 300 mil está dentro do mercado bilionário farmacêutico. O serviço foi prestado e está materializado na alteração de normas da Anvisa. Nenhum real foi transferido para o Fábio", afirmou o advogado, destacando que a herdeira trabalha com relações institucionais há anos. Viagem a Portugal e a fábrica de cannabis A defesa também comentou a viagem de Lulinha a Portugal, com custos pagos pelo Careca do INSS, para visitar uma fábrica de cannabis medicinal. Salles confirmou a viagem, mas negou que houvesse lobby. Segundo ele, Lulinha conheceu o Careca por meio de Roberta e a viagem foi uma "prospecção de negócios". Enquanto Roberta cuidava da parte regulatória no Brasil, Camilo buscava entender o mercado internacional, e Lulinha o acompanhou como amigo. 'Nosso amigo' Sobre o uso de termos como "nosso amigo" em vez do nome direto de Fábio, o advogado negou que pudesse ser uma mensagem cifrada, afirmando que Roberta cita o nome de Fábio abertamente em outras mensagens e que o termo surgiu naturalmente pela intimidade entre eles no momento da preocupação. Entenda o caso A PF suspeita que o grupo do Careca do INSS buscava abrir portas no Ministério da Saúde para vender produtos de canabidiol. Os investigadores cruzaram os pagamentos a Roberta com as movimentações de Lulinha e agendas oficiais no governo. A defesa de Fábio Luís nega irregularidades e afirma que ele está à disposição para abrir sigilos.
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Fonte original: G1

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