Política
Câmara de SP aprova honrarias a cientista que estuda polilaminina; há 4 dias, ela admitiu erros em artigo
11 de março de 2026 às 20:00
G1
Câmara de SP aprova honrarias a cientista que estuda polilaminina; há 4 dias, ela admitiu erros em artigo
Pesquisadora da polilaminina admite erros em texto e alega que pesquisa terá nova versão A Câmara Municipal de São Paulo aprovou a entrega de duas honrarias à pesquisadora Tatiana Sampaio, responsável pelo estudo que apresentou a polilaminina como um possível tratamento para lesões na medula espinhal. No último fim de semana, ela afirmou ao g1 que o artigo com os resultados dos primeiros testes em humanos terá que passar por correções. Os vereadores consideraram que as contribuições da cientista justificam plenamente a concessão da Medalha Anchieta e do Diploma de Gratidão da Cidade de São Paulo, além do Título de Cidadã Paulistana. A votação aconteceu nesta quarta-feira (11) e teve aprovação unânime. A cerimônia para entrega das honrarias ainda não foi marcada. Em divulgação oficial, a Câmara diz que os estudos de Tatiana têm apresentado resultados promissores e destaca que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou em janeiro a fase 1 de estudos clínicos sobre a segurança do uso da substância. Tatiana Sampaio, pesquisadora da polilaminina Reprodução A pesquisa sobre a polilaminina começou a ganhar destaque recentemente, quando a cientista passou a dar entrevistas ao lado do paciente Bruno Drummond, que teve lesão medular e voltou a andar. O estudo busca comprovar se a aplicação da substância na medula lesionada pode estimular a regeneração de conexões nervosas. O trabalho que Tatiana vai revisar foi divulgado em pré-print em fevereiro de 2024 e aborda o resultado de duas décadas de pesquisas dentro da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), incluindo a fase experimental em oito pacientes humanos que começou em 2018 (antes, os pesquisadores avaliaram a ação da molécula em cães). Os resultados atraíram a farmacêutica Cristália, que já investiu R$ 100 milhões na pesquisa para que a polilaminina seja transformada em medicamento. Segundo ela, o texto vai passar por uma revisão geral, com correções, ajustes na apresentação dos dados e mudanças na forma como os resultados foram descritos. "Esse pré-print eu coloquei assim no momento. Eu pensei: ‘Isso aí não vai dar 'ibope', vou deixar lá só para registrar que a gente fez isso em algum momento, por questões de autoria’. Mas ele não estava bem escrito", afirmou, em entrevista. A divulgação gerou grande repercussão nas redes sociais e também críticas de especialistas. Pesquisadores questionaram pontos do trabalho, como inconsistências na apresentação de alguns dados e a interpretação de eficácia do tratamento sem que fosse possível isolar o efeito da substância de outras intervenções, como cirurgia e fisioterapia intensiva (leia mais). Um dos exemplos citados envolve um paciente que morreu poucos dias após o procedimento, mas que nos dados do estudo aparecia com melhoras registradas após cerca de 400 dias de tratamento. A pesquisadora disse que isso foi um erro e que vai ser corrigido. Ao g1, Tatiana negou que as mudanças estejam sendo feitas em resposta às críticas. Segundo ela, a primeira versão corrigida do texto chegou a ser apresentada a duas revistas: a Nature Communications e o Journal of Neurosurgery. O trabalho, no entanto, foi rejeitado pelos dois periódicos. Ela diz que agora trabalha em uma nova versão do artigo na tentativa de publicá-lo em uma revista científica. O que vai ser mudado no artigo Tatiana afirma que as mudanças incluem correções técnicas, ajustes na apresentação de dados e novas explicações sobre os resultados do estudo. Segundo ela, as alterações não modificam os dados já apresentados nem as conclusões da pesquisa – ela segue acreditando na eficácia da polilaminina. A pesquisadora disse que a nova versão não vai ser divulgada publicamente antes de ser aceita por uma revista científica e por isso não encaminhou o manuscrito ao g1, mas mostrou alguns dos seus ajustes.
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Fonte original: G1

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